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Desperdício é o principal responsável pela fome no mundo

O desperdício de alimentos é um dos problemas mais sérios enfrentados pela humanidade e o principal responsável pela fome no mundo. (Foto: Diário do Nordeste)
Anualmente, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), 1,3 bi de ton de alimentos é desperdiçada, quantidade suficiente para alimentar 870 mi de pessoas que passam fome diariamente no Planeta. Esse montante causa não só grandes perdas econômicas, como um considerável impacto nos recursos naturais, que são explorados em vão. Para se ter uma ideia da grandiosidade dessa catástrofe, a cada ano, os alimentos que são produzidos e não consumidos pela população, empregam um volume de água que equivale ao fluxo anual do Rio Volga (Rússia), o mais longo da Europa, com 3.688 Km de comprimento.

Esse montante é responsável pela emissão de 3,3 mi de ton de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera do Planeta, segundo a FAO, e contribui para afetar de forma certeira a segurança alimentar nos próximos anos.

Além desses impactos ambientais, as consequências econômicas diretas do desperdício de alimentos atingem o montante de 750 mi de dólares anuais. É fácil chegar à conclusão de que, se não houvesse tantas perdas, com a produção total indo à mesa, os preços dos alimentos cairiam sobremaneira, dando um alívio no bolso de todos nós. A FAO calcula que 54% do desperdício de alimentos do mundo ocorre na fase inicial da produção, manipulação pós-colheita e armazenamento. O restante, 46%, é perdido nas etapas subsequentes: processamento, distribuição e consumo.

E nesse contexto desastroso, não cabe culpar apenas os gestores públicos, pois todos exercem o papel de vilão, já que dão sua parcela de contribuição, ainda que mínima. Juntando um tiquinho de cada um, chega-se à cifra denunciada pela FAO.

Os consumidores não conseguem planejar suas compras de forma racional. Compram em excesso ou exageram no cumprimento das datas de validade dos produtos; enquanto os padrões estéticos e de qualidade levam os distribuidores a rejeitar alimentos perfeitamente comestíveis. Reside aí uma das principais causas do desperdício.

Diante dessa situação, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em domicílios particulares, realizada em 2009, sobre segurança alimentar, coloca o Ceará como terceiro pior Estado do Nordeste e também do País (ver mapa na página oito).

O pior é o Maranhão, com apenas 35,4%, seguido do Piauí, com 41,4%. Nosso Estado apresenta índice de apenas 51,7%. Isso significa dizer que quase metade da nossa população, 48,3% sofre de insegurança alimentar num dos seus três níveis: moderado, médio ou grave.

O Nordeste é a região mais vulnerável nos três níveis, com percentuais para segurança alimentar, insegurança alimentar leve, moderada e grave, respectivamente, de 53,9%, 14,8%, 12% e 9,3%. Dessa forma, o Ceará está abaixo da média nordestina: segurança alimentar, 51,7%; insegurança alimentar leve, 24,4%; moderada, 13,5% e grave, 10,3%.

A reportagem percorreu centrais de abastecimentos, restaurantes e plantações para observar de que forma essa conta é formulada. Hoje, contamos como produtores e consumidores desdenham dos alimentos; amanhã, mostraremos a movimentação nas feiras livres, a perda do pescado e a importância dos bancos de alimentos; na quinta-feira, encerramos a série com outras iniciativas que buscam barrar o desperdício.

Fonte: Diário do Nordeste / Miséria
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