Conheça a nossa Rádio | Conheça a nossa cidade

Dr. drauzio varella Levar a vida com leveza e inteligência


MEDICO
O médico cancerologista dirige um projeto de bioprospecção de plantas nativas na Amazônia, cujos extratos serão testados em células tumorais
FOTO: LUCAS MOURA
Da infância à velhice, qual a importância de cuidar da saúde entre os dois extremos da vida?
Nós temos que levar uma vida com inteligência. Você não consegue cuidar só nos extremos. Isso tem de ser um contínuo. É importante aprender, desde criança, que tipos de alimentos são mais saudáveis, fazer exercício... As crianças de hoje ficam o tempo inteiro no computador com joguinhos! Depois disso, essa consciência tem de tem de permanecer na adolescência, na puberdade, na vida adulta. Ao continuar com esses hábitos saudáveis, você vai chegar aos 70 anos de idade bem. Não dá para deixar isso de lado e dizer: "ah, vou me preocupar com isso quando estiver velho". Você pode chegar à velhice destruído, você pode chegar ao 60 anos acabado. E aí não tem mais conserto, é tudo remendo. O envelhecimento não precisa vir acompanhado de doenças. Podemos envelhecer de forma saudável.
A adoção de novos hábitos parte, muitas vezes, de mudanças nos modos de pensar. Nesse sentido, como buscar equilíbrio entre corpo e mente?
Não sei. Eu tento fazer isso há muitos anos e nem sempre consigo (risos). Mas eu acho que é mais fácil você ir do corpo para a mente do que vice-versa. Porque eu digo o seguinte: se você começa a levantar meia hora mais cedo para fazer exercício, isso te dá uma sensação de bem- estar que ajuda psicologicamente. Exercício físico é anti-depressivo e te dá mais otimismo na forma de encarar a vida com mais sabedoria.
As condições crônicas respondem por 60% de todo o ônus decorrente de doenças no mundo e as doenças crônicas não transmissíveis correspondem a 72% das mortes. Quais as enfermidades crônicas que merecem mais atenção hoje?
Acho que a primeira delas é o tabagismo, que considero a doença crônica mais importante de todas. Nós diminuímos muito a prevalência do cigarro, mas ainda temos mais ou menos 15% dos adultos brasileiros fumando. Então se partirmos do princípio que nós temos 150 milhões de adultos no Brasil, 15% desse número dá mais de 20 milhões de fumantes, que vão sofrer as doenças que o cigarro provoca. Os números mostram que os homens ainda fumam mais que as mulheres. Por outro lado, eles deixam de fumar mais que as mulheres. É uma tendência que vem se mantendo no decorrer dos anos. Elas têm mais dificuldade de ficar livres do cigarro, e considero esse como o problema mais sério de todos.
O segundo problema que eu também acho seríssimo é a obesidade. Hoje, 52% dos brasileiros estão acima do peso ou são obesos. É um número muito alto, que representa metade da população adulta. E, quando falamos em obesidade, vêm as outras complicações: hipertensão arterial, diabetes, câncer, as doenças reumatológicas e muitas outras em que a obesidade é um fator importante e responsável por várias delas.
Quais os fatores de risco que considera mais 'perigosos'?
Além do cigarro e do consumo exagerado de álcool e outras drogas, é a obesidade que está entre os fatores de risco mais perigosos no mundo moderno. Porque atrás dela vem uma série de complicações muito grandes, e isso representa, realmente, um fator de risco sério. Não só por aumentar o número de ataques cardíacos, derrames cerebrais, de mortes precoces, mas especialmente por provocar uma diminuição da qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem.
Qual o maior desafio para que possamos incorporar atitudes que impactam positivamente na manutenção da saúde?
É que nós temos uma tendência de repetir a rotina das nossas vidas. É muito difícil o homem quebrar essa rotina, fazer modificações sérias, radicais. Assim como tomar atitudes de mudanças de dieta, de comportamento sexual, de hábitos para deixar a vida sedentária e passar a levar uma vida em que se exercite com regularidade. A tendência da gente é ficar repetindo aqueles mesmos comportamentos a vida inteira, mesmo sabendo que aquilo não está dando certo, que nós, dessa maneira, não estamos vivendo uma vida de boa qualidade. A motivação para quebrar a rotina e fazer uma mudança radical precisa ser muito forte.
Além da alimentação e exercícios, quais condutas simples podem ser incorporadas ao dia a dia de quem anseia por mais qualidade de vida? Eu acho que se você consegue ter uma dieta saudável e consegue não engordar, se faz exercício físico, está bom demais. O corpo humano é uma máquina que foi desenhada para o movimento. Tem de se mover, senão estraga. O corpo se aprimora à medida que se movimenta. O resto são pequenos ajustes. O que faz diferença mesmo são a atividade física e os hábitos alimentares.

Fonte: Portal Verdes Mares
Próxima página
« Página anterior
Próxima página
Próxima página »