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Bacia do Araripe reúne maior reserva de fósseis

Elizâgela Santos
O Museu de Santana do Cariri, , que reúne um dos maiores acervos de peças do período cretáceo, completou 25 anos anos na quinta-feira passada. (Foto: Elizângela Santos)
Há quem diga que o sertão já foi mar. No Cariri, essa afirmação se torna mais evidente pela infinidade de fósseis, que tornam a área da Bacia Sedimentar do Araripe, a maior reserva do período cretáceo do planeta.

A boa preservação das peças encontradas, de mais de 110 milhões de anos, tornou esse material estudado por pesquisadores do Brasil e vários países do mundo. Algumas das peças raras já encontradas se encontram em museus dos Estados Unidos e da Europa, além do Museu Nacional e o Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, que abriga grande parte de um acervo que pode chegar a mais de 10 mil fósseis. No dia 26 de julho, o Museu de Santana completa 25 anos, se destacando como um espaço referência e com uma coleção rara.

Uma programação científica foi aberta no último dia 25, no intuito de comemorar a data e debater questões relacionadas à história, educação e trabalhos desenvolvidos ao longo dos anos relacionados à temática, com as grandes descobertas evidenciadas para o Brasil e o mundo.

Conscientização

A projeção maior, ao longo anos, desse material raro que a região abriga, fez com que houvesse uma conscientização maior da sociedade da preservação do patrimônio na própria região, tendo o Museu de Santana do Cariri, como um espaço de salvaguarda. Além disso, houve uma redução significativa da quantidade de fósseis traficados.

Propostas educativas, segundo o geólogo e coordenador do Geopark Araripe, Idalécio Freitas, tem surgido no intuito de promover a educação e conscientização, envolvendo as escolas da região, e projetos que mostrem de forma práticas para as pessoas como esses fósseis são extraídos. E não são poucos.

Por meio do projeto Jovens Paleontólogos, foram resgatados mais de 3 mil peças, com os próprios trabalhadores das minas, que são orientados sobre o valor científico do material, nas próprias áreas. Eles também têm a oportunidade de perceber o trabalho dos mineradores. Todo o material coletado foi repassado este ano, ao museu.

Recentemente, os maiores pesquisadores da área de pterossauros do mundo, estiveram participando do IV Simpósio Internacional de Pterossauros, por meio de uma parceria da Universidade Regional do Cariri (Urca), com o Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Eles visitaram duas importantes áreas de incidências de fósseis da Bacia Sedimentar do Araripe, nas cidades de Nova Olinda e Santana do Cariri.

Répteis

O evento foi destinado ao estudo dos animais pré-históricos de mais de 110 milhões de anos, na bacia sedimentar, e também de outras partes do mundo. A Bacia do Araripe é atualmente um dos locais de incidência dos répteis voadores, visados para estudos no mundo e onde foram encontrados os mais antigos pterossauros. Em março deste ano, foi apresentado no Museu Nacional do Rio de Janeiro, o mais recente deles, o ´Tropeognathus mesembrinus´. Para a comunidade científica mundial, o pterossauro foi encontrado em 2011, durante a maior escavação controlada do Nordeste, que está sendo realizada na região.

De acordo com o pesquisador e paleontólogo, Álamo Feitosa, coordenador da pesquisa responsável pelo achado, o Tropeognathus cujo nome significa "Mandíbula em forma de quilha ", viveu há aproximadamente 110 milhões de anos, durante o período cretáceo no Nordeste brasileiro. Era considerado um pterossauro de porte mediano, pois o maior exemplar encontrado media aproximadamente 6 metros de envergadura.

Descobertas

As descobertas recentes o colocaram entre os maiores do mundo. Foi encontrado na formação Romualdo, que abrange os estados do Piauí, Pernambuco e Ceará. O fóssil, um enorme exemplar dessa espécie, possui 8,5 metros de envergadura e cerca de 70 quilos.

Segundo Álamo, os 20 pesquisadores estrangeiros que estiveram no Cariri, pela primeira vez, de países como a China, Japão, Itália, França, Estados Unidos e Inglaterra, debateram sobre o estado de arte dos pterossauros, além da biomecânica do voo desses animais, locomoção e se eles possuíam sangue quente.

Conforme o pesquisador, a dúvida se estende, já que os répteis atuais não têm sangue com temperatura variável. Ele cita como exemplo as aves, que têm sangue quente e são descendentes de dinossauros. "Paira essa dúvida quanto aos pterossauros e esse simpósio terá como foco essas discussões", enfatiza.

Os fósseis de pterossauros encontrados na Bacia do Araripe estão entre os mais antigos achados do mundo. De acordo com Álamo Feitosa, há registro de um de mais de 70 milhões de anos, encontrado nos Estados Unidos.

O mais recentemente encontrado na Bacia do Araripe, é da era cretácea e possui 40 milhões de anos a mais. O animal foi reconstituído no Museu Nacional, onde está em exposição, mas o fóssil que recompõe a asa do animal, se encontra no Museu de Paleontologia de Santana do Cariri.

Mais informações:

Geopark Araripe
Universidade Regional do Cariri (URCA)
Carolino Sucupira, S/N
Telefone: (88) 3102.1237

Fonte: Diário do Nordeste / Miséria
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