Conheça a nossa Rádio | Conheça a nossa cidade

UTIs não atendem à demanda de doentes

 

Image-0-Artigo-1841038-1
A falta de leitos nas UTIs neonatais é motivo de preocupação entre autoridades locais
fotos: elizângela santos
Juazeiro do Norte. Hospitais referências para o Cariri e municípios de estados vizinhos passam por dificuldades com superlotação constante dos leitos das Unidades de Terapia Intensiva (UTI), nas cidades de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. A
crise faz com que os pedidos para a ampliação desses espaços e aumento no número de leitos estejam parados há vários anos. Há unidades hospitalares que estão mantendo leitos com os próprios recursos para não deixar pacientes morrerem.
Segundo a Secretaria de Saúde do Estado, dos 109 leitos disponibilizados na região, 11 são privados. São 70 leitos destinados aos adultos nos hospitais das cidades dos três principais municípios da região, além dos neonatais e pediátricos. Segundo portaria do Ministério da Saúde, 93 leitos atendem à quantidade mínima exigida.
A dificuldade de manter esses espaços tem sido um desafio para os gestores. Segundo o diretor do Hospital São Vicente de Paulo, em Barbalha, Antônio Ernani Freitas, essa realidade tem sido difícil de ser enfrentada, já que o local recebe pacientes de várias localidades, além da demanda voltada para os casos específicos atendidos no complexo de saúde, como atendimentos de maternidade de alto risco. Ele afirma que há sempre alguém na espera, até porque no hospital também há os casos antes atendidos pelo Centro de Oncologia do Cariri, que nos últimos dias deixou de receber pacientes vítimas de câncer por falta dos repasses nos recursos de R$ 250 mil referentes aos meses de março e abril, do Ministério da Saúde. São quase 400 doentes na fila de espera. Cerca de 90% dos casos atendidos são do Cariri.
A situação se agrava com as UTIs neonatais e pediátrica. O São Vicente é o único da região a possuir unidades pediátricas, com seis leitos sempre lotados, para atendimentos de crianças de 2 a 12 anos. Nos leitos para paciente neonatal há uma solicitação de ampliação que já faz três anos e que ainda não foi atendida. O hospital, que disponibiliza atendimentos para gestantes de alto risco, conta com sete vagas, uma a mais funciona por conta do hospital. A meta é chegar a 10 leitos, mas a realidade se configura de forma diferenciada. Somente na última semana, o berçário teve que ser ocupado por 21 crianças, que necessitam de uma atenção especial dos profissionais de saúde.
Atualmente o Hospital Regional do Cariri (HRC), em Juazeiro do Norte, conta com 35 leitos de UTI, que vieram no tempo certo, para os atendimentos de urgência e emergência. A cidade possui mais de 263 mil habitantes, segundo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a mais populosa da região e nos últimos anos tem passado por uma grave crise na saúde. O Hospital Regional é estadual e acabou absorvendo boa parte da demanda de Juazeiro do Norte, mas é referência de atendimento para municípios da região do Cariri até Centro-sul. O problema de atendimentos se agrava com o fechamento de hospitais como o Santo Inácio, além do Estefânia Rocha Lima, que funcionava como Pronto Socorro e passou a restringir o maior número de atendimentos, pela situação precária do equipamento. Essa realidade perpassa pelo atendimento precário do Maria Amélia, único hospital pediátrico da região, com carência de infraestrutura.
Em 2006, os problemas relacionados aos atendimentos na UTI neonatal foram minimizados em Juazeiro do Norte, com a inauguração de uma UTI com 10 leitos, além de 15 leitos de médio risco. Os maiores problemas estão relacionados às licitações, com prazos que às vezes dificultam a compra de novos medicamentos, conforme a direção do hospital. Desde que foi inaugurada, a UTI recebeu mais dois leitos, além de cinco voltados para atendimentos de médio risco. Os casos de adultos são transferidos, conforme a central de regulação, para o HRC ou para o São Vicente, em Barbalha.
O São Francisco, em Crato, foi credenciado recentemente com cinco leitos de berçário de médio risco e se encontra com seis leitos de UTI, constantemente lotados. O Município tem amargado nos últimos anos o fechamento de hospitais como o Manuel de Abreu e há vários anos foi desativado o Hospital Pediátrico Monsenhor Rocha.
Para o médico e diretor do Hospital Santo Antônio e Hospital do Coração, também em Barbalha, José Correia Saraiva, a situação na saúde tem se tornado praticamente insustentável. O Santo Antônio é referência no atendimento de casos de traumas, e a UTI com 10 leitos, oito deles credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) está sempre lotada, com pacientes não apenas da região, mas que se deslocam até de estados vizinhos para serem atendidos no local.
São dois anos buscando o credenciamento de novos leitos. Dos 10 existentes no Hospital do Coração, sete são credenciados pelo SUS.
FONTE: Diário do Nordeste
Próxima página
« Página anterior
Próxima página
Próxima página »