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Ceará: 45% das empresas não investiram para a Copa

Segundo a consultoria Gomes de Matos, a principal preocupação dos empresários cearenses com a realização da Copa é a diminuição do fluxo de clientes durante os dias de competição. (Foto: Lucas Moura)
Em contraste com a previsão inicial de que os meses de junho e julho deste ano concentrariam uma série de oportunidades para a economia cearense, a realização da Copa do Mundo de 2014 tem sido encarada por estabelecimentos de diversos setores como um acontecimento a ser superado - e não, de fato, aproveitado.

A conclusão é de uma pesquisa realizada pela consultoria Gomes de Matos, que, durante abril e maio últimos, entrevistou representantes de estabelecimentos dos setores de comércio, indústria e serviços do Estado.

De acordo com o levantamento, 45% dos entrevistados não fizeram investimentos adicionais para aproveitar a realização do evento esportivo. Ao mesmo tempo, a maior parte deles (62%) manteve o mesmo número de funcionários neste ano, enquanto 27% elevaram o quadro e os 11% restantes, ao contrário, suprimiram vagas.

"A verdade é que os efeitos que a Copa pode oferecer são visíveis porque são mega obras, mega eventos esportivos, mega investimentos em telecomunicações. Isso acaba impactando no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Mas, quando avaliamos o mercados, especificamente, eles não estão tão otimistas", aponta o consultor e gestor do portfólio de marketing da Gomes de Matos Consultores, Alberto Mistrello. Conforme disse, a maioria dos entrevistados espera ter, neste ano, faturamento superior ao registrado em 2013. Entretanto, frisa, esse avanço é previsto para os meses que antecedem e sucedem a competição. "Ou seja, o período da Copa vai ser de administração de situações difíceis", destaca.

Segundo a pesquisa, a principal preocupação dos empresários com a realização da Copa é a diminuição do fluxo de clientes durante a competição, sendo seguida pelo temor de não conseguir manter a lucratividade no período. Isso se reflete, destaca Mistrello, na postura dos empresários de buscar não fazer grandes investimentos, como forma de "fazer o mínimo querendo o máximo possível".

O funcionamento nos dias de jogos, a segurança pública e a mobilidade urbana da Capital são outros pontos que geram receio entre representantes do comércio, indústria e serviços.

Turismo e hotelaria

Alberto Mistrello, que também é professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), destaca que o segmento de turismo e hotelaria foi citado pelos entrevistados como aquele que mais se beneficiaria com o evento esportivo. Todavia, aponta, o setor já não está otimista como em anos anteriores.

Após a devolução de 77% dos leitos reservados pela Fifa, em abril último, o segmento já admite que o legado do evento só virá a longo prazo.

Outro motivo para isso é o fato de as datas de realização dos jogos em Fortaleza e a mudança das férias escolares também comprometem a ocupação dos hotéis.

Varejo

Mais um resultado destacado pelo consultor é o fato de que apenas 10% dos entrevistados citaram o varejo como um dos segmentos a serem beneficiados pela realização da Copa. "A princípio, o varejo poderia ser um ramo que poderia ter grandes vantagens (com a competição), mas já não é esperado esse grande benefício. O empresário está ciente de que a Copa do Mundo vai ser um período para ser administrado", salienta.

Apesar da perda do otimismo do turismo, a Secretaria de Turismo do Estado (Setur) prevê que os 52 segmentos inseridos na cadeia produtiva do setor tenham impacto positivo de R$ 1,16 bilhão com a Copa.

A pasta espera que em torno de 350 mil turistas cheguem ao Ceará por conta do evento. A expectativa é que cada visitante gaste em torno de R$ 1,9 mil, o que geraria uma receita direta de R$ 665 milhões.

Avaliação

"O varejo poderia ser um ramo que tenderia a ter grandes vantagens, mas já não é esperado esse grande benefício"

Alberto Mistrello
Consultor da Gomes de Matos

Fonte: Diário do Nordeste / Miséria
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