Conheça a nossa Rádio | Conheça a nossa cidade

Desaparecimento de crianças cresce 87% no Carnaval

Aglomeração, som alto e uso de bebidas alcoólicas facilitam o sumiço de crianças; é importante que os pais portem os documentos dos filhos (Foto: Kiko Silva)
No Carnaval, quando um grande aglomerado de pessoas ganha as ruas para cair na folia, aumenta o risco das crianças se perderem. O som alto, o calor e o uso de bebida alcoólica por parte dos pais são fatores que contribuem para que, em um momento de descuido, as crianças se percam. Apesar dos alertas do Corpo de Bombeiros, neste ano, 15 crianças desapareceram durante o período momino em todo o Estado, o que representa crescimento de 87,5% em relação ao ano passado, quando oito crianças se perderam de seus pais ou responsáveis.

De acordo com o coronel Ricardo Rodrigues, relações públicas do Corpo de Bombeiros do Estado do Ceará, todos os casos foram devidamente elucidados e os pais localizados. Entretanto, para a criança que se vê sozinha, perdida em meio à multidão, o momento pode ser traumático e deixar marcas que permanecerão para o resto da vida.

"Pode ser desesperador para a criança ficar perdida, sem contato com os pais. Costumamos dizer que o melhor salva-vidas das crianças são os próprios pais. Em situação de grande aglomeração de público, recomendamos que eles coloquem uma roupa com coloração de destaque e, por conta própria, providenciem uma pulseira com os dados de seus responsáveis. Se for uma criança maior é importante ensinar o nome, endereço e telefone de seus pais", sugere.

Cuidados
Na praia, o relações públicas do Corpo de Bombeiros recomenda que os pais expliquem para as crianças o nome da barraca que estão, para no caso de ela ir tomar banho não correr o risco de perder a referência. E, o mais importante, não tirar os olhos das crianças em nenhum momento, não só no Carnaval, mas em todas as situações de grande aglomeração de pessoas.

A Operação Carnaval 2014 contou com 702 bombeiros, distribuídos nos principais pontos de folia do Ceará. Para prevenir que crianças se perdessem dos pais, foram distribuídas 6.626 pulseiras. Nela, os pais colocavam o nome, endereço e contato. Por ser feita de borracha, elas não desgastavam. Dessa forma, evitaram que desaparecimentos se transformassem em momentos ainda mais traumáticos.

Já o Juizado da Infância e da Juventude contou com 500 agentes de proteção, só em Fortaleza. No Aterrinho da Praia de Iracema foram registradas, nos cinco dias de folia (contando com a abertura do Carnaval, na sexta-feira), 35 ocorrências, o que dá uma média de sete por dia. A maior parte referente a crianças e adolescentes sem documentos, desacompanhadas ou fazendo uso de bebida alcoólica. Entre estes casos, estavam também os de crianças que se perderam de seus pais.

Adriana Meireles Brasileiro, conselheira do Departamento de Agentes de Proteção da Infância e da Juventude de Fortaleza salienta que, por falta de orientação, a maioria dos pais não sabem que devem portar o documento de seus filhos. "Neste Carnaval, teve o caso de uma menina que se perdeu e, quando encontramos a suposta mãe, ela estava sem o documento da criança e o dela, o que dificulta. É preciso que haja uma maior conscientização", destaca.

Sem a documentação, acrescenta a conselheira, a criança e o adolescente ficam vulneráveis a uma série de riscos, como por exemplo, sequestros. Caso não tenha a carteira de identidade, pelo menos a cópia da certidão de nascimento da criança ou do adolescente os pais devem ter. "Só podemos entregar a criança mediante a apresentação desses documentos", frisa Adriana.

Fonte: Diário do Nordeste / Miséria
Próxima página
« Página anterior
Próxima página
Próxima página »