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Produção de mel no Ceará busca alternativas para combater os prejuízos da estiagem

Os apicultores do Brasil estão sofrendo desaparecimento de abelhas no país. No Nordeste, o caso é mais grave porque além de ser afetado com este fenômeno, a seca traz ainda mais prejuízos para a apicultura. O fato é confirmado pelo produtor Paulo Airton, de Crateús, no interior do Ceará, que teve uma queda de 80% na produção de mel em 2013. “A quantidade de enxames ainda está muito baixa. Temos muitas colmeias vazias”, afirma.
Apesar do volume de exportações não ter crescido, a venda interna aumentou consideravelmente (FOTO: Fábio Marras)
Apesar do volume de exportações não ter crescido, a venda interna aumentou consideravelmente (FOTO: Fábio Marras)
Em 2009, o Ceará foi o 2º maior exportador de mel no país. Mas, de lá pra cá, a exportação vem diminuindo por conta da seca. Atualmente cerca de 90% da exportação de mel cearense é de agricultores familiares. No Estado existem 176 associações de apicultores em 140 municípios e ainda seis cooperativas. No total, mais de 15 mil famílias trabalham diretamente com a apicultura.
Exportações e consumo interno
Apesar do volume de exportações não ter crescido, a venda interna aumentou consideravelmente. Isso também porque apenas 10% da produção é vendido internamente. Para a exportação, a venda custa cerca de R$ 5,60 o quilo nos cinco entrepostos de mel do Estado, segundo o presidente da Câmara Setorial de Mel no Ceará e Coordenador de Apicultura e Meliconicultura da PEC Nordeste, Vinícius Carvalho.
Na Bahia, onde também se produz muito mel, acontece o contrário. Maior parte da produção é para o consumo interno e apenas 15% vai para a exportação (FOTO: Javier Guijarro)
Na Bahia, onde também se produz muito mel, acontece o contrário. Maior parte da produção é para o consumo interno e apenas 15% vai para a exportação (FOTO: Javier Guijarro)
Já para a venda interna, onde o consumo é menor e por isso vende-se por litro, o valor do mel custa R$ 15 reais o litro. Essa variação de preço se dá também pelo fato de a exportação ter retorno financeiro imediato e o consumo interno, além de ser pouco também depende de algumas burocracias. “Quando o produtor vende mel para um mercadinho, muitas vezes o pagamento demora cerca de 30 dias pelas burocracias necessárias, como o selo da SIF, e por isso o apicultor prefere vender o mel para exportação, já que o retorno financeiro é imediato.”, detalha Carvalho.
Na Bahia, onde também se produz muito mel, acontece o contrário. Maior parte da produção é para o consumo interno e apenas 15% vai para a exportação. Isso acontece porque o estado possui conscientização da importância nutritiva e tem um mercado consolidado.
“No Ceará tem gente que só compra mel se estiver doente. A população precisa se conscientizar que o mel não é um remédio, e sim um alimento, que deve ser consumido como qualquer outro.”

Fonte: Tribuna do Ceará
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