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Ceará espera produção de 12,6 mil toneladas de mamona após seca

Neste ano, a ideia é incentivar a produção da mamona (FOTO: Flickr/Creative Commons)
Neste ano, a ideia é incentivar a produção da mamona (FOTO: Flickr/Creative Commons)
A seca prolongada deixou muitos agricultores insatisfeitos com a produção de mamona no Ceará. A expectativa para 2014 é melhor, mas não tão boa quanto na década de 1970, quando o estado era o maior produtor do fruto. Segundo o assessor estadual de oleaginosas da Ematerce, engenheiro agrônomo Valdir Silva, o Ceará deve produzir 16 mil hectares de terra de mamona, representando cerca de 12,8 mil toneladas.
“Nós esperamos uma produção de 800 kg por hectare. Essa é a expectativa mínima, porque a mamona pode produzir até 1.800 kg por hectare”, explica.
Em 2013, de acordo com o engenheiro agrônomo, a produção dos agricultores foi bem abaixo do esperado em decorrência da seca prolongada. Em média, 60% dos agricultores selecionados não plantaram. Os outros 40% tiveram perda de 85% da produção. “Nós esperávamos em torno de 20 mil toneladas, mas conseguimos só 3,5 mil”, admite.
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Para evitar que o mesmo problema aconteça neste ano, a ideia é motivar a plantação da mamona, atuando em duas frentes. No total, 8 mil famílias devem plantar. Destas, seis mil serão assistidas pela Petrobras Biocombustíveis, em 14 municípios responsáveis por 35% da produção da mamona no estado. As outras duas mil famílias de 29 municípios serão assistidas pela Ematerce. Ou seja, os produtores terão a safra garantida, segundo o assessor estadual de oleaginosas. As regiões beneficiadas serão Sertão dos Inhamuns, Canindé, Crateús e Sertão Central.
“Ao todo, 43 municípios participam da ação. Nós não queremos um número alto, mas produtividade. Antes, plantava e tinha prejuízo, mesmo com incentivo do governo. Remontamos o programa para que o Ceará plante e tenha muita produtividade”, afirma.
Outra forma de incentivo é por meio do Programa Estadual de Biodiesel, em que os agricultores familiares cadastrados recebem as sementes da mamona, assistência técnica e um incentivo de R$ 200 por hectare de mamona plantado, limitado a três hectares por família. O pagamento é dado em duas parcelas: a primeira no plantio e a segunda no manejo.
Mesmo assim, o pagamento do ano passado ainda não foi realizado. Como resposta, Silva informou que antes “não existia lei que regulamentasse o pagamento” e garantiu que ele será feito apenas neste ano.
Quixadá
O óleo da mamona pode ser transformado em biodiesel. Com a falta da mamona, a principal matéria-prima para a produção do biodiesel na Usina da Petrobras, em Quixadá, é a soja. O motivo, além da pouca produção de mamona nos anos anteriores, é o fato de ser um produto com preço competitivo em relação a outras oleaginosas. O preço do fruto está em torno de R$ 1,35 o quilo.
Dessa forma, a Petrobras produz 95% do biodiesel proveniente da soja. “Isso vai se manter, porque o Nordeste não tem produção suficiente para que a Petrobras saia da rota de soja para a rota da mamona. Então é preferível fazer biodiesel com outra matéria-prima”.
Importância da mamona
Além da transformação em biocombustível, a mamona está presente em diversos produtos. Com a industrialização da mamona, obtém-se também o óleo, cujas aplicações são inúmeras. O uso mais importante, em termos quantitativos, é na fabricação de tintas, vernizes, cosméticos e sabões. É também importante na produção de plásticos e fibras sintéticas.
O óleo da mamona também pode ser utilizado em outros processos industriais, como na fabricação de corantes, anilinas, desinfetantes, germicidas, óleos lubrificantes de baixa temperatura, colas e aderentes; serve de base para fungicidas, inseticidas, tintas de impressão, vernizes, nylon e matéria plástica.

Fonte: Tribuna do Ceará
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