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PIB do Estado cresce 3,76%, mas serviços se retraem

Com o resultado, o Estado segue pelo 14º trimestre consecutivo com seu PIB crescendo acima da média nacional
Mesmo com o fraco desempenho do setor de serviços, responsável por mais de 70% da atividade econômica local, o Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará cresceu 3,76% no terceiro trimestre de 2013, em comparação a igual período de 2012. Desta vez, segundo dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Estado (Ipece), divulgados ontem, o desempenho está relacionado ao comportamento positivo da indústria, impulsionada, em grande parte pela construção civil, e ainda pelos setores de eletricidade, água gás.

Expansão da Indústria foi puxada pela construção civil (+ 6,77%). Já os serviços apresentaram forte recuo ante o 2º trimestre de 2013 e a igual período do ano anterior fotos: Natinho Rodrigues e Silvana Tarelho

Com o resultado, o Estado segue pelo 14º trimestre consecutivo com seu PIB crescendo acima da média nacional - que teve aumento de 2,2%, em igual base de comparação, e recuou 0,5% ante o segundo trimestre de 2013. Em relação ao acumulado dos últimos quatro trimestres, ante os quatro trimestres imediatamente anteriores, o indicador cearense avançou 3,54%, enquanto o do Brasil cresceu 2,3%.

Em queda
Motor da atividade econômica estadual, o setor de serviços, puxado pelo comércio, que tradicionalmente é mais forte na segunda metade do ano, pela primeira vez vem perdendo força ante o primeiro semestre. Segundo apurou a redação web do Diário do Nordeste, de julho a setembro registrou crescimento de apenas 2,27%, o que, por sua vez representa declínio na comparação ao acumulado nos meses de abril, maio e junho de 2013, quando a alta foi de 3,69%, e, mais ainda, no confronto com o terceiro trimestre de 2012, período em que o crescimento foi de 6,48%, se comprado com igual intervalo de tempo do ano anterior.

Comércio
Dentre as atividades do setor, o comércio teve variação negativa de 1,55%, enquanto o segmento de transportes cresceu 4,13%, índice bem a baixo do registrado no 2º trimestre, quando o resultado foi de 9,65%.

"Observamos que isso é uma tendência do País. Em parte por conta do endividamento das famílias, mas também pela política macroeconômica nacional, em que a taxa elevada de juros dificulta a abertura de crédito. Tudo isso contribui para a redução do consumo, prejudicando o setor. Apesar disso, o importante desse período é que a indústria tenha apresentando uma expansão significativa", avaliou o diretor-geral do Ipece, Flávio Ataliba Barreto.

Indústria
Já setor industrial, por outro lado, apresentou avanço de 6,98% no 3º trimestre, sendo parte da expansão devida ao setor de construção civil, que registrou 6,77% e de serviços de eletricidade, gás e águas, com alta de 5,94%. No acumulado do ano, o segmento apresenta avanço de 6,22%, e de 5,33% nos quatro últimos trimestres, em comparação a igual período do ano passado. Conforme Ataliba, os dados demonstram que parte do crescimento se deve ao incentivos públicos e privados do Estado.

"A alta é fruto, principalmente, da qualidade dos investimentos que tem garantido as maiores taxas a nível nacional. Certamente a construção civil foi uma das mais importantes nesse período, mas precisamos prosseguir assim para que nossa participação no PIB nacional possa chegar a pelo menos 4%".

Na avaliação do vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro, o fato de a construção civil estar puxando o setor industrial se explica pelo avanço do mercado imobiliário e das obras de infraestrutura no Estado.

"Então este é um resultado esperado, pois o ano tem sido muito bom", destaca. Ele chamou a atenção ainda para a influência do segmento sobre outras atividades industriais, reforçando, assim, os números positivos do setor. "A construção civil puxa as indústrias de linha branca, móveis, química, cerâmica, dentre muitas outras. Diz-se que para cada emprego direto gerado pelo setor, outros três indiretos surgem", completa.

Agropecuária
Assim como o setor de serviços, a agropecuária também registrou resultado negativo. O setor apresentou um declínio de 3,11% no terceiro trimestre de 2013, acumulando redução de 1,03% no ano e de 2,91% nos últimos quatro trimestres. No Brasil, também foi registrada queda, porém de apenas 1%.

Segundo o diretor do Ipece, as reduções verificadas são reflexos da longa estiagem que se abateu sobre o Ceará. "Estamos enfrentando muitas dificuldades na agropecuária, onde passamos por um período longo de estiagem, o que acaba prejudicando o crescimento de outros setores da economia. Se não fosse por isso, tenho certeza que o crescimento seria melhor", avalia Ataliba. No primeiro trimestre deste ano, a agropecuária cearense caiu 5,94%, mas no segundo trimestre conseguiu fechar em alta de 5,97%.

Fechamento do ano
De acordo com o analista do Ipece, Nicolino Trompieri, a estimativa para o crescimento da atividade econômica do Estado em 2013 deve ser de aproximadamente 3%, na comparação com o ano passado. "Se o 4º trimestre tiver o mesmo desempenho de igual período de 2012 a expectava é que a taxa de crescimento deste ano seja de 3%. O que ainda é um bom resultado se comparado a taxa do Brasil".

ANCHIETA DANTAS JR.REPÓRTER

Fonte: Diário Do Nordeste
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