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Seca impede crescimento do Nordeste

O segundo ano consecutivo de seca na região Nordeste do país praticamente anulou as expectativas de expansão da produção agrícola da região. O levantamento de safra mais recente do IBGE aponta uma expansão de 1,5%, ante uma previsão inicial de 40% de aumento, no início do ano. "As previsões foram caindo, foram caindo, até chegar a uma situação de estabilidade, na prática "comentou o diretor de Política Monetária, Carlos Hamilton de Araújo, durante a divulgação do Boletim Regional do BC, em Fortaleza.

As frustrações na área agrícola combinadas com o crescimento moderado do setor industrial resultaram em um nível de atividade de 0,1% do IBCr-NE (Índice de Atividade Econômica do Banco Central - Nordeste) no trimestre encerrado em agosto, mesmo resultado registrado para o Brasil. Foi quebrada a rotina segundo a qual o Nordeste vinha apresentando, em média, resultados econômicos melhores que o do restante do país. Mas, segundo o diretor do Banco Central, a tendência é de recuperação."O comércio varejista está em crescimento, em especial os setores de veículos e material de construção", diz.

Segundo Carlos Hamilton, os resultados são sustentados pela expansão "ainda que moderada" do crédito, do mercado de trabalho e dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), concedido a idosos e deficientes pobres, no valor de um salário mínimo. Para mostrar o peso das transferências de renda para a atividade econômica da região, Carlos Hamilton fez algumas comparações: embora reúna 28% da população brasileira, o Nordeste concentra 51% dos beneficiários do Bolsa Família e 35% dos segurados que recebem BPC.

De acordo com dados do Banco Central, as vendas do comércio varejista cresceram 3% entre junho e agosto, na comparação com o trimestre anterior. A receita nominal do setor de serviços aumentou 10,9% em relação ao trimestre finalizado em agosto de 2012. "Nos próximos trimestres, a atividade econômica no Nordeste tende a ser beneficiada pela continuidade da expansão da massa salarial ampliada e, possivelmente, pela recuperação da renda agrícola", informa o relatório divulgado pelo diretor do Banco Central.

Luciano Ximenes, economista do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste, ligado ao Bando do Nordeste, reforça o diagnóstico do diretor do BC. Segundo ele, a situação socioeconômica do nordestino hoje "é muito diferente de outrora" e os efeitos das secas têm sido mitigados desde meados da década de 1990 com a capilaridade dos programas sociais, de saúde e de transferência de renda, além de infraestrutura de recursos hídricos, estradas, transportes, programas de eletrificação rural. Mas, de acordo com o técnico, ainda faltam políticas para lidar com o fenômeno da seca. "A implantação de ações efetivas de convivência com a seca são tímidas e sazonais, emergenciais, de alto custo e pouco eficientes, mesmo sabendo-se que é um fenômeno climático natural e recorrente no semiárido", afirma ele.

Ximenes destaca que cerca de 60% das propriedades rurais do Nordeste são pequenas, com área inferior a 10 hectares. Assim, "ações locais no âmbito da agricultura familiar são imperativas e devem incluir alternativas de geração de renda não agrícolas", afirma.

Na Bahia, por exemplo, a seca provocou uma contração de 3,9% da agropecuária no segundo trimestre de 2013 comparado a igual período do ano anterior, de acordo com dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Mas a contração foi compensada pela expansão de 6,5% do setor industrial e de 3,1% no setor de serviços.

Em Pernambuco, foi registrada uma retração de 4,4% na agropecuária, contra expansões de 2,4% da indústria e de 1,3% dos serviços no segundo trimestre deste ano em comparação como trimestre anterior, conforme dados da Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco.

Luciano Ximenes diz que, diante dos registros históricos de precipitação na região, as perspectivas para 2014 são favoráveis, apontando um período chuvoso acima da média. Em 2012, a perda das lavouras temporárias no Nordeste chegaram a 13 milhões de toneladas.

Fonte: Brasil Econômico - iG / Miséria
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