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Renda per capita no Ceará cresce 42,2% entre 2006 e 2012, diz pesquisa do Ipece

A expansão do Bolsa Família teve participação importante para reduzir as desigualdades sociais e a precarização do trabalho (Foto: Natinho Rodrigues)
Estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) aponta que a expansão do Bolsa Família no Estado, nos últimos anos, além de diminuir as desigualdades sociais, também ajudou a reduzir a precarização do trabalho entre a população cearense mais pobre, que está trabalhando menos horas semanais e ganhando melhor. Entre 2006 e 2012, a renda familiar per capita cearense cresceu 42,2% em termos reais. Em 2006, por exemplo, o décimo mais pobre da população detinha apenas 0,72% do valor total. Nesse grupo, a renda do trabalho representava 47,7%. Já os rendimentos relativos a transferências do Bolsa Família somavam 47,2%.

Naquele mesmo ano, os 10% mais ricos da população cearense concentravam 44,2% da renda total. A participação dessa camada no faturamento proveniente do trabalho era 74,8%, mostrando uma grande desigualdade entre os dois extremos das camadas. Nas classes mais ricas, conforme a pesquisa, as transferências perdem importância significativa e passam a representar rendimentos colhidos em aplicações financeiras.

Evolução

Em 2012, a parcela referente à renda total do grupo mais pobre da população apresentou leve crescimento em comparação a 2006, ficando em 0,88%. Os valores provenientes da atividade de trabalho, nesses seis anos, perderam participação na composição da renda, passando de 47,7% para 26,3%. Por outro lado, o índice dos rendimentos relativos ao Bolsa Família apresentou evolução considerável, saindo de 47,2% para 69,5%.

Embora a desigualdade ainda seja evidente entre os dois polos, é possível notar que houve redução nos últimos anos. Em 2006, a renda per capita mensal entre os 10% mais pobres era de R$ 26,92, enquanto entre os 10% mais ricos era de R$ 1.655,33, ou seja, 61 vezes maior. Já em 2012, o rendimento médio do décimo mais rico (R$ 2.245) representava 48 vezes ao da classe mais pobre (R$ 47,07).

Horas trabalhadas

No que diz respeito à remuneração/hora e às horas trabalhadas por semana, é possível notar que, nas classes mais pobres, as pessoas estão trabalhando menos horas e ganhando melhor.

Em 2006, os 10% mais pobre da população recebiam, em média, R$ 2,51 por hora, trabalhando 18,16 horas semanais (destaque para o trabalho informal). Em 2012, a remuneração/hora subiu para R$ 3,57 (42,1%) e as horas trabalhadas por semana caiu para 13,65 (-24,8). Entre os mais ricos, as respectivas variações da remuneração/hora e horas trabalhadas por semana foram 30,8% e -1,93%.

"Nossa principal conclusão é que, com a ampliação da transferência de renda do governo federal, os trabalhadores das camadas menos favorecidas têm melhores condições para negociar preços no mercado de trabalho, uma opção que não tinham antes. Muitas vezes, por questão de sobrevivência, eles se submetiam em atividades muito precárias. Agora, conseguem administrar melhor o tempo, pois sabem que tem uma renda fixa do Bolsa Família", afirma Flávio Ataliba, diretor geral do Ipece.

Comportamento
Diferentemente do pensamento de que o programa do governo federal torna os trabalhadores beneficiados mais acomodados, a pesquisa realizada pelo Ipece considera que a relação entre a mudança na composição da renda e o comportamento no mercado de trabalho dos mais pobres indicam que pode haver um comportamento no sentido de buscar uma melhor inserção no mercado de trabalho.

Fonte: Diário do Nordeste / Miséria

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