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Nordeste puxa avanço da classe média no País na década

Apesar da sofisticação da cesta consumida, os gastos das famílias nordestinas ainda estão centrados em áreas básicas, como alimentação (Foto: Waleska Santiago)
Dizer que a classe média nacional vem crescendo bastante ao longo dos últimos anos já não é novidade, mas o Instituto Data Popular decidiu verificar esse processo mais a fundo e acabou chegando a uma constatação importante: mais da metade dos brasileiros já está inserida nessa categoria. Isso porque, na última década, a classe média aumentou sua participação na sociedade brasileira em 14%, atingindo o patamar de 52% no ano passado. Todas as regiões do País ajudaram nessa expansão, mas nenhuma contribuiu mais do que o Nordeste, que apresentou um avanço de 20 pontos percentuais (pp) no período.

Para se ter uma ideia do impacto que o Nordeste teve na ascensão da classe média, segundo o levantamento do Data Popular, o avanço da Região nos últimos 10 anos foi praticamente o dobro do registrado no Sudeste (11 pp). Na opinião do economista Alex Araújo, isso aconteceu porque o Nordeste e o Norte (que avançou 17 pp no período) ainda são os locais com maior concentração das classes D e E.

"Trata-se de um movimento que vem acontecendo no Brasil inteiro, mas que é mais impactante entre os nordestinos, que vêm melhorando seu poder aquisitivo e adquirindo novos hábitos de consumo. O Ceará é um grande exemplo do que isso representa para o mercado, já que vimos segmentos como o de móveis, tradicionalmente forte entre a classe média, despontando em vendas, inclusive com larga produção em cidades como Iguatu e Jaguaribe", afirma Alex.

Efeitos

Ainda de acordo com Alex Araújo, a elevação da classe média tem dois grandes efeitos na economia nordestina: aumento no volume de consumo e sofisticação da cesta consumida. "Se uma pessoa tem uma baixa taxa de renda, ela praticamente só vai gastar com setores de extrema necessidade, como alimentação, moradia e saúde. A partir do momento em que há uma ascensão do poder aquisitivo, cria-se a oportunidade adquirir bens e serviços que antes estavam fora de questão", explica o economista.

Apesar da opinião de Alex sobre o avanço do mercado de bens e serviços não considerados fundamentais, a pesquisa do Data Popular revela que os gastos das famílias nordestinas ainda são mais concentrados em categorias básicas, já que 60% da renda vai para os setores de habitação (32%) e alimentação (28%). Nacionalmente, os gastos nessas categorias é de 57%.

Perfil

Segundo o Data Popular, a chamada nova classe C, que hoje já representa 34% da população nordestina, ainda se preocupa bastante com o preço na hora de comprar algum produto. Conforme a pesquisa, 68% dos entrevistados concordam totalmente ou em parte com a ideia de sempre comprar os itens mais baratos.

O levantamento ainda revela que, apesar do percentual de adultos bancarizados no Nordeste (50%) ainda ser menor do que no Brasil em geral (62%), os nordestinos têm recebido mais acesso ao cartão de crédito (43% contra 42% do País).

Fonte: Diário do Nordeste / Miséria

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