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Cariri: Aterro Regional contará com R$ 20 mi

Até a instalação do aterro, em Caririaçu, a coleta seletiva dos resíduos sólidos vem-se expandindo nos centros urbanos da região. (Foto: Yaçanã Neponucena)
Apesar do mercado imobiliário ter investido na oferta de bons produtos, os desafios de saneamento básico ainda persistem no Cariri. A falta de uma destinação correta para os resíduos sólidos provoca o aumento da poluição, compromete a saúde pública, a qualidade da água e dos demais recursos naturais. No Cariri, o panorama não é diferente. Ao longo de décadas, as cidades da região têm enviado seus dejetos para locais impróprios. Uma medida importante tem sido preparar a população para a educação no manejo do lixo, através da coleta seletiva e a reciclagem.

Nos chamados lixões, todo material vindo das residências e do comércio em geral é despejado e se transforma em montanhas malcheirosas. Mas este cenário desolador deve começar a mudar a partir deste ano, com a construção do Aterro Sanitário Regional do Cariri, localizado na divisa entre Juazeiro do Norte e Caririaçu, uma das obras mais aguardadas pela população.

Depois de superar vários entraves, como a definição do local, o aterro terá um projeto moderno e sustentável para beneficiar 10 cidades do Cariri: Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Caririaçu, Nova Olinda, Santana do Cariri, Jardim, Missão Velha, Farias Brito (que compõem a Região Metropolitana) e Altaneira.

Projeto

"O Aterro Sanitário faz parte do Projeto Cidades do Ceará, que procura distribuir melhor os investimentos no Estado, levando melhorias para o interior. Os recursos já estão garantidos para essa construção e será uma estrutura dentro dos padrões legais e ambientalmente exigidos", explica Camilo Santana, titular da Secretaria das Cidades do Ceará, que está à frente do projeto.

Um aterro sanitário é um local onde ocorre a disposição controlada dos resíduos sólidos, com regras técnicas rigorosas para evitar a contaminação do ambiente e garantir o controle do recebimento do material, para se ter um controle exato de até quando o local vai poder operar, já que existe um limite de recebimento dos resíduos.

No caso do Aterro Sanitário do Cariri, a previsão é de até 20 anos. "A estrutura será formada pelo aterro em si e por unidades de transferência, que vão receber os resíduos sólidos e estarão localizadas nos municípios. Nessas unidades, será feita a seleção do material, em lixo seco e úmido. Só os resíduos úmidos, que não podem ser reciclados, vão para o aterro. A ideia é que os municípios possam aproveitar o material reciclável e gerar renda", explica Camilo Santana. O Governo do Estado está investindo cerca de R$ 20 milhões na construção do Aterro Regional, que terá uma área total de 176,6 hectares e capacidade para receber de 180 mil a 200 mil toneladas anuais de resíduos.

Mas a administração do aterro será consorciada, ou seja, compartilhada entre os municípios que o utilizarem. "Estamos estudando de que forma isso será administrado. A ideia é que a gestão não seja feita pelos prefeitos, mas que o consórcio faça uma licitação pública para a iniciativa privada gerenciar. Isso terá um custo e cada município vai pagar proporcionalmente ao que utilizar. Por exemplo, se Jardim entregar 1 tonelada de lixo por dia, vai pagar por essa quantidade", comenta Camilo Santana. "A responsabilidade do consórcio será a de deslocar o lixo das unidades de transferência até o Aterro. E a responsabilidade dos municípios será a de coletar os resíduos, estimulando a coleta seletiva", completa o Secretário das Cidades.

A construção do Aterro Regional também é o cumprimento de uma exigência legal. De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em 2010 pelo então Presidente Lula, todos os municípios brasileiros terão que acabar com os lixões e adotar aterros sanitários - consorciados ou individuais. "Acreditamos que esse consórcio vai minimizar os problemas do lixo na região do Cariri, porque hoje todas as cidades têm lixões. O fato de ser consorciado é um avanço, porque o custo de implantação de uma obra dessa é muito grande. E os municípios pequenos não teriam produção de lixo suficiente para justificar essa utilização. E sendo consorciado, eles compartilham os custos de operação", avalia Ivan Botão de Aquino, Supervisor de Impacto Ambiental da Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Ceará.

A previsão é de que até o final do ano a construção do Aterro seja autorizada. O objetivo é que até agosto de 2014, quando entra em vigor a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o local esteja em operação. A partir disso, a participação da população será fundamental. "Somada à construção do Aterro tem que ter o trabalho de coleta seletiva e de educação ambiental nos municípios. Quem sabe com maneiras de estimular as pessoas a fazerem a coleta seletiva em casa. Isso é importante, porque reduz os custos para o município e para a reutilização desses materiais já na origem", observa.

Fonte: Diário do Nordeste / Miséria
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