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Número de casos de diarreia bate recorde da série histórica

Parte da água que chega às torneiras do município de Capistrano é do açude Pesqueirão. Mas, conforme a Secretaria da Saúde da cidade, essa água não serve nem para tomar banho (Foto: Edimar Soares/O Povo)
É na igreja que se encontra a sorte da dona de casa Francisca Maria de Abreu, 61. Toda quarta-feira, ela parte rumo à cisterna do padre, no Centro de Capistrano, para pegar água. “Vai o pessoal mais aperreado, os humildes, que não podem comprar água. Essa da torneira ninguém consegue dar um gole, é mesmo que água da praia, de salgada”, relata. Ela não sabe ao certo, mas acredita que tenha relação com alguns casos de diarreia que a família teve nos últimos meses. Em todo o Estado, em 2013, foram notificados 280.127 casos, o maior número desde o ano 2000.

A análise faz parte do Sistema de Notificação de Doenças Diarreicas Agudas (MDDA) e integra relatório da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). Antes, 2011 tinha registrado o pico da série histórica, com 275.381 casos. O recorde registrado no ano passado, conforme destacado no documento, contraria o fato de que o aumento de casos se dava de forma significativa nos anos com ocorrência de bons períodos chuvosos no Estado.

A avaliação mostrou ainda que, em 2013, 137 dos 184 municípios (74,4%) ultrapassaram o limite superior do número de casos de diarreia notificados de 2007 a 2012. “Observa-se que a falta de chuvas gera uma demanda no abastecimento de água e na oferta da mesma (em algumas situações contaminada), que supostamente pode incidir no aumento significativo de casos e surto de diarreia em localidades de vários municípios”, enfatiza o relatório.

Água salobra

Em Capistrano, município localizado na microrregião de Baturité, o carro-pipa abastece tanto a zona rural quanto a urbana. Mas também há água encanada, como a que chega à casa de dona Francisca. Essa vem do açude Castro, em Itapiuna, que está com 9,8% da capacidade. “Se você colocar água em cima de um cururu, ele dança swingueira! É mesmo que colocar sal. A água é tratada, mas quanto mais o reservatório diminui, mais perde a qualidade e fica salobra”, afirma o titular da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compedec), Plácido Miranda.

A outra água que chega às torneiras do município é do açude Pesqueirão. “Mas já foi analisada e comprovada que não serve nem para tomar banho. Essa a orientação é usar só para as coisas da casa”, explica Plácido. O secretário da Saúde de Capistrano, Pedro Barboza, garante que a qualidade da água não afetou a saúde da população.

“Não tenho quadro de doenças que possa deixar preocupado, que a gente diga que a água está causando”, defende. Apesar disso, o agente da Vigilância Sanitária João Bosco alega que equipes mantêm trabalho de conscientização. “A gente entrega panfletos e faz a orientação de como fazer a limpeza da cisterna semanalmente”.

O POVO entrou em contato com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) ao longo da semana passada, solicitando contato com especialistas para esclarecer informações sobre o relatório. Até o fechamento desta matéria, a assessoria de imprensa não havia dado retorno. O pedido teve início na última terça-feira, 4.

Fonte: O Povo / Miséria
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