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Nordeste é reverenciado em debate no Dia Nacional da Cultura Brasileira

Mesa redonda debateu sobre a cultura nordestina (Foto: Lucas Mota/O Povo)
O cangaço, o vaqueiro e o gado foram uns dos temas discutidos na mesa redonda realizada no Teatro Dragão do Mar, na noite desta quarta-feira, 5. No Dia Nacional da Cultura Brasileira, o homenageado foi o Nordeste e suas diversas facetas culturais, desde a poesia de José de Alencar às canções de Luiz Gonzaga. O momento proporcionou aprendizado enriquecedor sobre a importância nordestina para o Brasil, a partir dos conhecimentos compartilhados do ator e diretor Sérgio Mamberti, o fotógrafo Tiago Santana e o presidente do Instituto Dragão do Mar, Paulo Linhares, sob a mediação do jornalista e diretor institucional do Grupo de Comunicação O POVO, Plínio Bortolotti.

Natural de Santos, Mamberti começou seu discurso durante o debate "Nordeste: Matriz da Cultura Brasileira", lembrando dos primeiros contatos da região do Sul do país com os nordestinos. Para o ator, o Nordeste passou de um lugar distante como a África para um espaço importante e cheio de vida, que emociona.
"A imagem que a gente tinha do Nordeste, no sul, era quase que pictórica. Vim para São Paulo estudar teatro em 1956, quando a cidade não chegava a ter 4 milhões de habitantes. Eu vi toda a chegada dos nordestinos que vinham com sua cultura. Eles promoveram um processo de integração extraordinária e fizeram uma integração que ainda era uma coisa distante, tão distante como a África", disse o ator e diretor Sérgio Mamberti.

Paulo Linhares viajou por anos de cultura nordestina. Trazendo um recorte do Ceará, o presidente do Instituto Dragão do Mar passou pelo vaqueiro e o índio do século XIX, a dialética do sol e a água, a seca e o mar, os portugueses em contato com a cultura indígena representada por Iracema, pelos intelectuais como Farias Brito, Capistrano de Abreu e Alberto Nepomuceno, da cultura da década de 60 com Fausto Nilo, Fagner e Belchior até os mitos do Estado, como o humor e a hospitalidade.

Com imagens do sertão que inspiraram o seu livro "Céu de Luiz", em parceria com o jornalista Audálio Dantas, o fotógrafo Tiago Santana fez mais uma homenagem aquele, que foi um dos mais lembrados durante todo o debate, o Rei do Baião. Antes de apresentar as fotografias feitas em Exu, terra natal do sanfoneiro, e no Cariri cearense, Tiago fez questão de citar um verso de Assum Preto. "Fico emocionado toda vez que leio", contou o fotógrafo.

Assum Preto também é uma das canções que tocaram o santista Mamberti. A parceria entre o Rei do Baião e Humberto Teixeira mereceu destaque da mesa redonda. "Foi justamente através do Luiz Gonzaga que recebemos imagens reais do Nordeste. Ao lado de Humberto Teixeira, eles criaram uma imagem épica e dolorida com Assum Preto e Asa Branca, mas ao mesmo tempo de uma doçura, da comida, do jeito de namorar, e isso criou uma imagem de uma força extraordinária do Nordeste", afirmou o ator e diretor.

Fonte: O Povo / Miséria
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