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Juazeiro do Norte-CE: A arte que brota na região do Cariri

Os artesãos primam até em peças grandes como este elefante e um cavalo. (Foto: Demontier Tenório/Agência Miséria)
Com esse título acima, a última edição da Revista Costumes, que se encontra nos caixas dos Mercadinhos São Luiz, traz uma ampla matéria sobre o artesanato juazeirense. O texto escrito por Demontier Tenório, aqui do Site Miséria, destaca o seguinte: A arte que brota das mãos dos artesãos juazeirenses ganha o mundo e a admiração de muitos. As peças são fruto da imaginação desses artistas que com talento, habilidade e muita paciência transformam pedaços de madeira em corpos inanimados de todos os tamanhos. Outros metem a mão na massa e criam peças em argila sem se falar nos que lançam mão de pedaços de couro ou vidro ou se utilizam ainda de palha ou cordas para transformá-los no que vem na mente.

O Centro de Cultura Popular Mestre Noza se transformou pela força da arte em um espaço de referência em Juazeiro do Norte dessas manifestações artísticas e culturais que afloram no interior do Ceará. Por isso, terminou sendo adotado como Ponto de Cultura dentro de um dos programas de apoio às artes do Ministério da Cultura. Localizado no primeiro quarteirão da Rua São Luiz, bem no centro da cidade, trata-se de um ambiente onde muitas pessoas têm o contato direto com tais manifestações.

A obra prima de Aparecido é o cantor Luiz Gonzaga tocando sanfona. (Foto: Demontier Tenório/Agência Miséria)

Não é a toa que o prédio da antiga cadeia pública e primeiro quartel da Policia Militar do Ceará no município ganha um incremento da ordem de 30% em termos de visitação durante o período das férias que já está se aproximando. No espaço, funciona a Associação dos Artesãos do Padre Cícero com cerca de 150 membros associados e, segundo o presidente Hamurábi Bezerra Batista, de 42 anos, esse incremento na freqüência tem a evidência do público regional.

De outros estados, conforme declara, essa visitação cresce no período de setembro a novembro quando freqüentadores ficam durante algum tempo apreciando o trabalho manual dos artistas ali presentes numa média de dez por dia. É o caso de Adalberto Soares da Silva, de 41 anos, o “Beto”, que reside no bairro Pio XII e está na atividade há pelo menos 25 anos. O corte da madeira e a transformação desta em peças aprendeu com seu irmão.

Beto, Celestino e Gil são outros renomados artesãos de Juazeiro. (Foto: Demontier Tenório/Agência Miséria)

Essa efervescência cultural se constitui num atrativo turístico aos visitantes que aproveitam a vinda a Juazeiro para prestigiar outras manifestações como Reisado, Lapinha, Maneiro Pau, Bandas Cabaçais, Bumba Meu Boi e diversas danças que são exemplos de manifestações na cidade com presenças nas festas populares. De acordo com Hamurábi, a Associação é a entidade representativa dos artesãos para cuidar da aquisição e distribuição da matéria prima e gerenciar as vendas diretas da produção.

Foi assim que o Centro se transformou numa das referências na arte popular nordestina e ganha animação no trabalho de artesãos como o juazeirense Gilberto Francisco de Lima, de 56 anos, que se especializou em esculturas após aprender com familiares. Gil mostra, por exemplo, uma de Santo Antonio que acabara de vender por R$ 70,00. Outro especialista no assunto é José Celestino da Silva, de 58 anos e residente no bairro Triângulo.

Poeta Patativa do Assaré recitando poesias entre Maria Bonita e o cangaceiro Lampião. (Foto: Demontier Tenório/Agência Miséria)

Há 46 anos ele talha esculturas na madeira uma arte que, também, aprendeu com familiares. Celestino prima nas estatuetas de Padre Cícero, Lampião e outras figuras bastante conhecidas no Nordeste, além de grupos folclóricos. Já Aparecido Gonzaga Alves, de 27 anos e morador da Vila Três Marias aprendeu a arte há 14 anos lá mesmo no Centro de Cultura e sua obra prima é o cantor Luiz Gonzaga tocando sanfona que, como diz, vem aperfeiçoando cada vez mais.

São peças que circulam o mundo e já estão presentes em países da Europa, Estados Unidos, Sul e Sudeste do Brasil. Hamurabi ressalta a necessidade de apoio das instituições no sentido de possibilitar tanto a divulgação como a otimização do espaço que ficou pequeno para tantas peças produzidas e algumas até ao relento. Segundo ele, cerca de 60% das vendas ganham o mercado nordestino e 35% dos produtos vão para o Sul e Sudeste, ficando apenas 4% no mercado regional e 1% seguindo ao exterior.

Fonte: Miséria
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