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Inflação faz com que consumidor repense gastos

O consumidor vem tendo que se desdobrar para "driblar" os efeitos da inflação em Fortaleza, que fechou 2013 com uma alta de 6,38% e já acumula avanço de 2,44% neste ano, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, divulgado na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Como forma de lidar com essas recorrentes altas no custo de produtos e serviços prestados - dos mais supérfluos aos de maior necessidade para as famílias - na capital cearense, muitas pessoas têm buscado alternativas para economizar, e fazem isso trocando um item por outro mais em conta, deixando de fazer certas atividades que outrora desempenhava com frequência ou simplesmente pechinchando algo mais em conta.
É o que está acontecendo com a professora Cristine Lopes, 50, que afirma conseguir bons descontos apenas conversando com os vendedores. "De alguns anos para cá tudo ficou muito caro e pechinchar virou quase uma obrigação do consumidor. Dá para conseguir abatimentos de 5%, 10% e até de 15% se você for um bom negociador", comenta.
"Às vezes, em valores reais, pode nem ser muita coisa, mas com certeza faz a diferença para quem tem o orçamento apertado", complementa.
Desapego às marcas
Outra atitude tomada por Cristine Lopes para minimizar os efeitos da inflação é praticar um "desapego às marcas mais conhecidas", em especial na hora de fazer a feira do mês.
"É claro que precisamos estar atentos à qualidade dos itens adquiridos, mas não me prendo a uma única marca. Compro o que estiver mais em conta", afirma. Substituir um certo produto por outro também pode ajudar a baratear a conta do supermercado. Em abril, por exemplo, quando a batata inglesa subiu 31,77% em Fortaleza, ela foi cortada da lista de supermercado feita mensalmente por Cristiane.
"Simplesmente substitui pela macaxeira. Achei (a batata) muito cara. É preciso estar atento a essas oscilações", aconselha.
"A minha maior estratégia, porém, é aproveitar as promoções de cada dia, não fazendo toda a feira em um único dia. Vou ao supermercado pelo menos três vezes na semana", diz a professora sobre o que vem fazendo para diminuir os custos, principalmente, com a feira do mês.
Alimentação em casa
Ainda segundo o último IPCA de Fortaleza, a alimentação no domicílio acumulou uma alta de 4,2% em 12 meses, enquanto que, no mesmo período, a alimentação fora de casa subiu quase o dobro (8,21%).
Quem notou bem essa discrepância foi o publicitário Allan Victor Castro, 22, que também resolveu tomar medidas para evitar problemas nas finanças.
"O que eu faço, basicamente, é comprar comida pra fazer em casa e não consumir fora dela. O custo de um sanduíche de pão de forma no trabalho, por exemplo, é o mesmo de um pacote inteiro do produto. Esse abismo entre os preços foi o que me levou a fazer isso", conta, destacando o abismo entre os dois preços.
Mudança na rotina
Para alguns consumidores da Capital cearense, a inflação inclusive tem culminado em uma mudança na rotina. Foi o que aconteceu no cotidiano do estudante de arquitetura William Sá, 23. Ele teve de rever todas atividades de lazer, por exemplo, devido a carestia dos preços.
"Quando preciso economizar, eu costumo, principalmente, deixar de sair pra lugares como festas e restaurantes e passo a ir mais na casa de amigos, além de ficar mais comprando comida e bebida em mercantil", explica. "Além disso, evito comer fora quando quero poupar. É impressionante a diferença que faz no fim das contas", acrescenta.
William também disse que substituiu a tradicional TV por assinatura pelo serviço da norte-americana Netflix - empresa que oferece programas de TV e filmes na internet - para aliviar as contas. "Pagava mais de R$ 100 por mês com a TV por assinatura e agora pago R$ 18. Não tem como comparar", ressalta. "Com o custo de produtos e serviços subindo, vale tudo para gastar menos e não ter o orçamento prejudicado", completa.
Áquila Leite
Repórter

Fonte: Diário Do Nordeste
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