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Apagões ameaçam expansão dos data centers no Brasil

O governo Dilma, em função da espionagem dos EUA, tenta impor uma estratégia de armazenamento local dos dados dos brasileiros, mas há questões técnicas que precisam ser equacionadas. Uma delas - e talvez - a mais importante é a disponibilidade da energia elétrica- ponto-chave para o funcionamento pleno de um data center. O ano de 2013 não foi bom para o setor elétrico brasileiro  e houve falta de investimento, diz o diretor da área de energia na Abinee, Newton Duarte. "Há tecnologias novas que podem ser aplicadas, mas os geradores seguem sendo a alternativa", diz.

Coincidência ou não, nestes dois últimos dias vários apagões estão acontecendo na cidade de São Paulo - cidade que concentra a maior parte dos data centers - em função do calor e dos temporais de verão. Em almoço com a imprensa nesta quinta-feira, 05/12, Newton Duarte fez um prognóstico sombrio da área elétrica. "As regras do jogo mudaram e a produção cai significativamente. O setor passa por um momento ruim e ainda houve a falta de chuva que desabasteceu as hidrelétricas, principal fonte de produção de energia no país. Há riscos, sim, de apagões", ponderou.

Questionado se os apagões podem justificar a ausência de investimentos, Duarte foi cauteloso, pelo menos no que se refere à parte tecnológica. "É claro que há problemas que precisam ser resolvidos de infraestrutura, mas há também tecnologias novas que transformam calor em água fria já disponíveis e prontas para tornar os data centers mais eficientes", frisou.

Os gastos com data centers vão chegar a US$3.2 bilhões em 2014, o que significará um incremento de 4,9% em relação a 2013, revelou o Gartner. Mas há situações a serem contornadas. Uma  pesquisa do Greenpeace, revelada no final do ano passado, apresentou dados preocupantes. Segundo o estudo, cloud computing fosse considerado um país, ele seria o quinto maior consumidor de eletricidade no mundo. A expectativa é de que essa demanda triplique até 2020. E o diagnóstico feito pelo Greenpeace não é nada favorável aos data centers. A maioria foi reprovada no uso de energia limpa.

No Brasil, a situação não é muito diferente. Para o Gartner, os datas centers nacionais têm que rever seus conceitos e buscar melhores práticas, entre elas, aumentar a eficiência energética, muito abaixo do padrão mundial. De acordo com a consultoria, para garantir eficiência máxima, o crescimento e a capacidade do data center devem ser vistos em termos de capacidade de processamento por metro quadrado, ou por quilowatt, ao invés de uma simples medida da área horizontal.

Estimativas da consultoria dão conta que um data center pequeno de 40 racks de servidores a uma capacidade de 60%, que hospeda 520 servidores físicos e tem 15% ao ano de crescimento na capacidade de processamento, precisaria de quatro vezes mais espaço físico em 10 anos.

Fonte: Convergência Digital / Miséria
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