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Novos testes ajudam a decidir se mulher com câncer de mama deve fazer químio

Uma nova geração de testes genéticos começa a ser usada no Brasil em certos casos de tumor nos quais há margem para dúvidas sobre qual é o caminho mais seguro e menos nocivo a ser trilhado no tratamento.

Há muito tempo os médicos já sabem que só tamanho não é documento quando se fala da agressividade de um tumor. E mesmo as informações colhidas pela análise do tecido tumoral no microscópio não revelam tudo o que o oncologista precisa saber para decidir se, após a cirurgia, uma mulher com câncer de mama deve ou não se submeter à quimioterapia.

Neste ano, um exame chamado Mammaprint, que analisa 70 genes do tumor, começou a ser usado por médicos particulares no país.

Outro teste, o Pam50, de 57 genes, também deve chegar ao Brasil em breve. Eles se juntam a um outro método anterior, o Oncotype (que analisa 21 genes e já é usado há alguns anos), para dar subsídio aos médicos na hora de mudar (ou não) a terapia escolhida.

Há ainda um outro painel, mais restrito, de três genes, que começou a ser oferecido, há um mês, pelo laboratório Salomão Zoppi.

NA PRÁTICA

Antonio Frasson, mastologista do hospital Albert Einstein e professor da PUC do Rio Grande do Sul, já aplicou o Mammaprint em cerca de 20 pacientes com câncer.

Primeiro, a mulher passa pela cirurgia de retirada do tumor. Uma amostra desse tecido é colocada em um bloco de parafina e enviada a um laboratório nos EUA. O exame analisa 70 genes ligados à capacidade de proliferação das células e de sua infiltração em outros órgãos.

Três ou quatro semanas depois, diz Frasson, chega o resultado, que afirma se a doença tem bom prognóstico ou não. Se o prognóstico é bom, afirma o médico, isso quer dizer que a paciente tem uma chance em torno de 95% de estar bem daqui a dez anos. Se for ruim, a chance é menor. "Com essa informação, podemos selecionar quem pode ser poupada da químio depois da cirurgia."

SELEÇÃO

O teste, no entanto, não é indicado para todas as mulheres com câncer. Casos em que o tumor é claramente não agressivo ou nos quais já se vê risco de metástase não pedem o Mammaprint, que custa cerca de R$ 12 mil e não é coberto por planos de saúde.

De acordo com Sergio Simon, oncologista do Albert Einstein, uma primeira análise, chamada de imuno-histoquímica, usada já há 20 anos, mostra se o tumor tem receptores de hormônios femininos e se tem a expressão da proteína HER2.

Isso já pode mostrar se o tumor é agressivo e requer uma terapia específica, dispensando o painel genético mais amplo. Nos outros casos, a análise genética pode ser reveladora. "Às vezes, há tumores pequenos extremamente agressivos, e esse exame mostra. Tumores maiores podem ser indolentes."

Segundo Simon, o teste muda a conduta em até 40% dos casos, em geral para não usar a quimioterapia. "Reservamos o tratamento para quem realmente precisa."

Fonte: Folha Online / Miséria
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