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Tradicionais, brinquedos educativos estimulam criatividade das crianças


Os irmãos Lucas (esq.) e Pedro (dir.) jogam uma versão gigante do antigo jogo de catar varetas; os irmãos deixaram os brinquedos eletrônicos de lado para brincar com os educativos (Foto: Cyntia Fuga Borges/Arquivo Pessoal)
Na casa de Cyntia Fuga Borges, mãe de Lucas e Pedro, de 6 e 7 anos, as crianças vão ter uma rara oportunidade neste 12 de outubro. Vão escolher qualquer brinquedo para ganhar no Dia das Crianças. "No aniversário, Natal e Dia das Crianças eu deixo eles escolherem. Fora essas datas aí com certeza eu procuro dar os brinquedos educativos", conta Cyntia. Os meninos ainda não sabem o que pedir, mas já deixaram de lado os bonecos de super-heróis e estão se divertindo com pintura, jogos de leitura e desenho. “Nos brinquedos educativos eles mexem com pião, com bola, com corda. Eu imagino meu pai brincando com tudo isso. Desenvolve a criatividade neles. É diferente do brinquedo pronto em que é meio limitada a brincadeira”, afirma.
O gosto dos filhos de Cyntia por esses brinquedos começou com um desafio. “Quando meu filho mais velho tinha 3 anos eu conheci uma loja em Suzano. A minha mãe comprou uma caixinha que era para montar uma bicicleta. Para a idade dele era dificil, mas ele tentava e a gente achou interessante. Eles adoram pintar e desenhar e curtiram bastante”, conta.
Os meninos também tem outras preferências, como os eletrônicos. “Eles gostam de videogame também, de arte, mas é sempre um interagindo com o outro”, diz Cyntia.
A psicopedagoga Marta Morgado Pereira Valente explica que a diferença entre o brinquedo educativo e o eletrônico está na interação da criança com o objeto. "Quando o brinquedo é muito pronto a criança não desenvolve muito a criatividade nem a maneira de brincar. Se for uma criança muito pequena, ela brinca por imitação, imitando o que o brinquedo responde", afirma.
Marta reconhece que os videogames têm seus méritos. "Eles também desenvolvem habilidade motora e habilidade visual". Contudo, ela faz um alerta. "Nao tem problema a criança brincar com jogos eletrônicos, o problema é o tempo que ela passa com isso."
Jogos de montar, carrinhos de madeira e até brinquedos criados há muito tempo ajudam no crescimento saudável das crianças (Foto: Junia do Amaral Martino/Divulgação)Jogos de montar, carrinhos de madeira e até brin-
quedos criados há muito tempo ajudam no cresci-
mento saudável das crianças. (Foto: Junia do Ama-
ral Martino/Divulgação)
Outro ponto importante é dar à criança um brinquedo adequado à sua idade. "Muitas pessoas não se preocupam com a faixa de idade do brinquedo. A criança de 2 e de 3 anos não vai usar o brinquedo da mesma maneira que a de dez anos faria. É importante os pais verificarem qual é faixa etária dos brinquedos. Também tem que brincar com a criança. O tipo de brinquedo não importa. O que importa é o quanto o brinquedo será usado para interagir com a família e as pessoas ao redor", conclui a psicopedagoga.
A psicóloga da educação Tatiana Platzer do Amaral concorda com esta tese. “Quando se compra brinquedo educativo para crianças de até 10 anos sempre vai necessitar de uma pessoa que interprete regras, ajude a entender como funciona. Tem que tirar a ideia de que só dar o brinquedo educativo já resolve”, afirma.
A especialista explica o que é considerado um brinquedo educativo. “Todo brinquedo tem um caráter educativo. Há alguns brinquedos que são pensados para trabalhar determinadas atividades, desenvolver competências nas crianças de maneira mais direta, sempre qualitativamente. O que importa não é a rapidez, é a qualidade do desenvolvimento da criança”.
Entre os exemplos de brinquedos deste tipo estão quebra-cabeças, blocos de montar e jogos de memória. Os preços variam bastante. Em uma loja especializada de um shopping em Mogi das Cruzes há brinquedos de R$ 7 (pião) até R$ 500 (casa de bonecas).
"O brinquedo tem que fazer sentido para a criança. E não esquecer que um bom estimulo é fundamental. A criança tem que conviver com um estímulo da parte afetiva, social, cognitiva e o desenvolvimento fisico dela também. A interação com o adulto ou com uma criança que sabe mais do que ela é fundamental para o desenvolvimento", acrescenta Tatiana.
O garoto Allan, que é portador autismo, desenvolveu a fala e outras habilidades com ajuda dos brinquedos educativos (Foto: Leticia Sthefane Roriz Ernica/Arquivo Pessoal)O garoto Allan, que é portador autismo, desenvolveu a fala e outras habilidades com ajuda dos brinquedos educativos (Foto: Leticia Sthefane Roriz Ernica/Arquivo Pessoal)
Autismo
Quem sabe bem da importância de brincar com o filho é a comerciante Leticia Sthefane Roriz Ernica. Ela é mãe de Allan, de 7 anos, que é autista e foi bastante beneficiado pelos estímulos dos brinquedos educativos. “O que melhorou foi a fala, porque até os 4 anos de idade ele não falava nada. Os brinquedos educativos têm as cores fortes, a madeira é fácil de manusear, ele gosta de encaixar. A gente brinca junto com o Allan. Tem um brinquedo que tem umas argolas, você joga as argolas para ele encaixar nos pinos. Eu falo, 'cadê o vermelho?' Agora ele fala: 'vermelho'.  Para o Allan é fundamental ter alguém junto com ele, brincando”, explica.
Allan herdou parte dos brinquedos educativos da irmã Jéssica, hoje com 17 anos. “Comecei a comprar para a minha filha mais velha e guardei parte dos brinquedos. Ele gostou dos de madeira e dos fantoches. Hoje ele também brinca com um que é de encaixar números. Na escola pedem brinquedos educativos, assim como a fonoaudióloga”, conta.
Os brinquedos educativos - muitos deles antigos, do tempo da infância dos avós das crianças de hoje - conseguem até tomar o lugar de suas versões modernas. “Meu pai comprou um pião para o Allan e ele deixou os 'beyblades' de lado”, conta Leticia, referindo-se a uma versão moderna e feita de plástico do antigo pião de madeira.
Além de Allan, Letícia também tem em casa outra criança, a bebê Bruna, de apenas 6 meses. Ela também já está recebendo os estímulos dos brinquedos educativos. “Eu estou apresentando para a Bruna só fantoches por enquanto e ela ama. Eu estou brincando com ela. Os brinquedos didáticos são simples. Essa é a graça”.
A psicóloga Tatiana lembra que é importante a criança viver uma fantasia, mesmo que esteja sozinha enquanto brinca. “Uma criança só vai aprender a chutar bola se alguém chutar bola com ela. Depois, ela vai chutar a bola sozinha e imaginar que tem o Rogerio Ceni no gol. Essa fase da fantasia é muito importante”, conclui.

Fonte: G1
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