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Médicos da USP se unem para fazer contraproposta ao Mais Médicos


Reunião na faculdade de medicina da USP nesta sexta (Foto: Ana Carolina Moreno/ G1)Reunião na Faculdade de Medicina da USP nesta
sexta (Foto: Ana Carolina Moreno/ G1)
Mais de 100 pessoas se reuniram na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) na manhã desta sexta-feira (19) para debater a medida provisória do governo federal que criou o Programa Mais Médicos no início do mês. Professores e estudantes da USP, além de representantes de entidades médicas e da Reitoria da instituição, repudiaram as ações listadas na MP e discutiram ideias para apresentar uma contraproposta ao governo federal.
Segundo o professor José Otávio Costa Auler Júnior, diretor em exercício da faculdade, a medida provisória "tem uma série de imperfeições, dúvidas e aspectos futurísticos", não traz uma proposta concreta para resolver os problemas atuais na área de saúde e foi elaborada com a "pressa do Executivo em atender o clamor da população".
O diretor afirmou que um projeto para construir essas mudanças "não é feito em dias, não é feito em meses, não é feito por medida provisória", e que a questão da saúde "não é de fato responsabilidade dos médicos", mas do sistema que está mal estruturado.
Na reunião desta sexta, os médicos vinculados à USP sugeriram ideias como reformular o currículo da graduação para ampliar o contato dos estudantes à saúde básica, mas sem ampliar a duração do curso, ampliar e criar novos programas para levar os alunos a regiões carentes, nos moldes do Projeto Rondon e de iniciativas atuais de outras instituições e fortalecer e criar novas entidades da classe médica para que ela tenha mais alcance nas negociações e defesa da categoria.
Segundo Costa Auler, as ideias sugeridas serão sistematizadas e apresentadas ao governo e à imprensa, afirmou.
Costa Auler é o diretor em exercício da Faculdade de Medicina da USP (Foto: Ana Carolina Moreno/ G1)Costa Auler é o diretor em exercício da FM-USP
(Foto: Ana Carolina Moreno/ G1)
Estágio na saúde básica do SUS
Segundo a professora Eloísa Bonfá, diretora clínica do Hospital das Clínicas, a maioria dos estudantes brasileiros já tem contato com o Sistema Único de Saúde durante a graduação, mas já existem discussões sobre a ampliação do internato na saúde básica durante o curso, sem a necessidade de aumentá-lo em dois anos.
"Estamos abertos a buscar soluções em conjunto com o ministério que sejam eficientes", disse ela. A introdução de estudantes sem supervisão adequada no sistema de saúde, porém, faria com que o médico em formação aprendesse com seus erros e colocaria a população em risco, afirmou.
O diretor em exercício da faculdade reconheceu que parte das instituições com curso de medicina não têm estrutura, como hospital universitário, para garantir aos estudantes a experiência necessária na atenção básica para uma formação mais completa. Esse foi um dos argumentos que o ministro de Saúde Alexandre Padilha usou para justificar a proposta do estágio obrigatório de dois anos. Costa Auler defendeu que essa deficiência seja compensa com a reformulação do currículo, mas mantendo a duração do curso. A tendência dos outros países, segundo ele, é inclusive encurtar a graduação.
Mais Médicos (Foto: Editoria de Arte/G1)
Para Arthur Danila, presidente da Associação de Médicos Residentes da USP da capital, a proposta de ampliar a graduação acaba enfraquecendo a residência, oferecida em nível de pós-graduação para formar especialistas nas diversas áreas da medicina. Ele se diz favorável à ampliação de vagas de residência e inclusive da residência universal, mas desde que o processo seja feito de forma regionalizada e com infraestrutura. "A residência médica é o maior fator de fixação do médico", afirmou Danila.
Diploma estrangeiro no Mais Médicos
Os professores presentes na reunião reconheceram a falta de profissionais para a atender a demanda interna da população e afirmaram que são favoráveis à ocupação das vagas ociosas com médicos estrangeiros. Porém, eles fazem uma ressalva. "Não temos nada contra a vinda de estrangeiros, mas a competência deles tem que ser verificada", afirmou Milton Arruda, professor de medicina preventina da USP.
Segundo ele, outra falha no item da MP  que trata da contratação de médicos brasileiros ou estrangeiros para vagas ociosas é as características do contrato. "É um contrato de bolsa, não há direitos trabalhistas. Uma solução melhor é criar carreiras adequadas, onde esse salário de R$ 10 mil pode ser o salário inicial. Mas há resistência a isso por questões financeiras."
Arruda afirmou ainda que o governo tem o mérito de levantar questões importantes, "mas as soluções são equivocada".
Diálogo
Roberto Kalil, professor da instituição e médico do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participou do encontro e afirmou que teve conversas com a presidente Dilma Rousseff, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o presidente do PT, Rui Falcão, e o próprio Lula, onde reafirmou sua opinião de que a proposta do governo está "errada".
Segundo ele, a medida "guilhotinou a classe médica", mas a reação indignada da categoria teria deixado o governo "assustado". Kalil afirmou ainda que o ministro Padilha se dispôs a se reunir com docentes e estudantes da USP para discutir o tema.

Fonte: G1
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