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A maior arquibancada do Brasil

Professor Marcos Leonel (Foto: Arquivo pessoal)
O que quer e o que pode essa gente na rua? Quais são os olhos que devem enxergar esses protestos que pipocam em várias cidades brasileiras? Quem de fato dá de ombros e depois volta a contabilizar em seu acúmulo próprio os bens materiais e imateriais do povo? É possível menosprezar tanta envergadura? Brasil! Será que urnas tuas não fogem mais à luta? São inúmeras perguntas clandestinas e infinitas respostas desmascaradas.
Esses que estão nas ruas não são ratos que saíram de piscinas instaladas no poder. É certo que até pouco tempo atrás eles estavam guardando os carros, pois nunca foram convidados para essa festança bilionária com o dinheiro público. Mas, enquanto os protestos mostram outra cara do Brasil e promulgam os transtornos que tentam mudar o País, os verdadeiros vândalos, canalhas e patifes que pilham profissionalmente os cofres públicos, se infiltram na obscuridade dos seus escritórios de alta periculosidade e sorrateiramente peidam em suas poltronas, enquanto despacham a compra de novos lotes de balas de borracha. Brasil! Mostra a tua cara e diz quem deve confiar em quem.

Há quem diga que não há foco em todas essas movimentações. Há quem diga que isso é evento, que é tumulto acertado em redes sociais. Há quem defenda a ideia que só o anarquismo vai salvar a última província refém da politicagem. Há quem afirme que esse palco é muito pequeno para tanto exibicionismo. Porém, não há de forma nenhuma, quem não reconheça a enorme insatisfação do povo que está nas ruas, com quem está no poder, com quem é poder, federal, estadual e municipal. É hora de desconstruir o verso: “paz sem voz não é paz, é medo”. Esse é o grito da intolerância às velhas práticas criminosas da política, ao vilipêndio moral das grandes corporações à dignidade do trabalhador. Esse é o grito da intolerância à falta de ética e de cidadania.

Os cartazes aleatórios exibidos pelos manifestantes formam um mosaico das iniquidades que o povo não engole mais. Ninguém aceita mais a bandidagem instalada em largos lotes dos três poderes. Os mortos das filas nos hospitais públicos se levantaram para protestar. Os fantasmas da educação pública gritam palavras de ordem. Os flagelados assalariados que dependem dos serviços públicos estão imunes ao gás lacrimogêneo. Os retirantes sociais não buscam mais as sobras do produto interno bruto nos latões de lixo das assembleias legislativas, agora eles erguem barricadas e preparam a revolução em diversos idiomas, é certo que não se sabe até que ponto. É sujeira para todo lado.

Nada parece funcionar no País, só mesmo as redes sociais. Parece que o povo acordou. Parece que a Justiça vai ser ela mesma e vai mandar para a cadeia todos os ladrões eleitos. Até parece que os eleitores dessa corja serão enquadrados como cúmplices. Aparentemente nenhum cafajeste deputado ou senador que tenha sonhado com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição número 37 será bem tratado em suas comunidades. Esse povo apartidário que sobe e desce avenidas em busca de se fazer ouvir é bem parecido. Mas, de fato, o Brasil não pode mais viver de aparências. Essa pátria não pode ser mais essa mãe gentil do crime organizado oficial. As margens nunca foram plácidas. É preciso ouvir em um brado retumbante que esse país não é mais aquela porra do Brasil.

Professor Marcos Leonel / Miséria
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